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Por Favor, Não Escreva Como Você Fala | Extermine Esse Mito Agora

Henrique Carvalho Escrito por Henrique Carvalho em 8 de outubro de 2018
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Você já ouviu que escrever como se fala é uma excelente dica para escrever melhor?

Pois é… eu também…

Mas será que essa é uma dica válida?

Eu acredito que isso é um mito que deve ser exterminado.

E em alguns segundos você vai conhecer uma forma melhor de enxergar a “escrita informal”.

Continue lendo.

Por que escrever como você fala é uma péssima ideia?

Em média, falamos em uma velocidade de 160 palavras por minuto (160 p/min).

Em comparação, escrevemos em uma velocidade média de 50 palavras por minuto (50p/min).

Ou seja, falamos 2.8x mais rápido do que escrevemos.

Logo, quando você se comunica em alta velocidade, alguns problemas de comunicação aparecem.

Quando você dirige em alta velocidade (160 km/h, por exemplo) seu carro fica mais instável, assim como o controle que você tem sobre ele diminui.

Na comunicação acelerada é o mesmo.

Podemos classificar esses problemas em 3 categorias:

Problema #1: Vícios da comunicação

Transcrevendo palavra por palavra uma conversa que tive recentemente:

“Fala Henrique, hoje eu quero te apresentar… ããããã… a excelente oportunidade… ããããã…, de se juntar ao meu negócio… ééééé… Temos muita sinergia… hummmm…. e podemos alavancar nossa carreira, ?”

Se os seus olhos rolaram para o lado ou você coçou sua cabeça ao ler o trecho acima, eu sei como é o sentimento:

É horrível!

Pode parecer um exagero, mas se você fizer uma transcrição exata de como a maioria das pessoas fala, você verá que esses vícios são mais comuns do que se pensa.

Algumas pessoas têm vícios tão enraizados que conseguem repetir mais de 100x o mesmo vício dentro de apenas uma hora.

Na época faculdade, eu tinha uma professora que repetia demaaaaais o “né”.

A repetição era tanta que um dia eu e meus amigos fizemos um bolão.

A ideia era ver quem chegava mais perto do número de “nés” falados por ela em uma aula de 1 hora.

Resultado final: 124 “nés”.

Meu Deus!!!

Ficamos espantados.

Nem o mesmo o meu amigo mais audacioso chegou perto desse resultado, o que nos deixou perplexos para esse grave problema de comunicação.

Problema #2: Comunicação prolixa

Você já assistiu a um vídeo no Youtube em velocidade 2x (ou até mesmo 3x, ou 4x)?

Algumas pessoas dão voltas intermináveis dentro do mesmo assunto.

A sensação é que a marcha do carro travou e ela não consegue mais ir para frente.

E por isso, entra num ciclo de repetição eterno.

Quando você olha que horas são, fica abismado.

Já se passaram 30 minutos e ela continua falando a mesma coisa.

Você sente que está perdendo seu precioso tempo, pois a pessoa enrola demais.

Faça um teste de risco próprio:

Teste ser prolixo na sua escrita e veja se o leitor irá acompanhar suas eternas voltas…

… A realidade é que ele vai correr do seu texto e nunca mais voltará.

Problema #3: Insegurança

Escritor inseguro é um escritor tímido que usa palavras passivas, fracas e grandes com o intuito de impressionar seu leitor.

Lembra do vício “né” da professora que tive na faculdade?

Pois é…

O “né” é apenas um exemplo que pode ser trocado por “tá”, “ok”, “percebe”, “entende”, “tá certo”.

Um mais irritante do que o outro.

Pessoas que têm costume de usar esses vícios de linguagem em sua comunicação demonstram muita insegurança em sua fala.

Quando uma pessoa está insegura, ela precisa de um retorno positivo com quem está conversando.

Logo, ela fala como se estivesse perguntando:

  • “Estou sendo claro, né?”
  • “Estou falando bem, né?”
  • “Vocês estão entendendo, né?”

Imagine se eu terminasse cada parágrafos com um desses vícios?

Tá bom pessoal?

Entenderam, né?

Vou para o próximo tópico, ok?

Um desastre!

Acabe com essa insegurança hoje.

Esses 3 motivos isolados já poderiam ser suficientes ao provar que você não deve escrever como você fala.

Agora… continue lendo, pois eu vou te mostrar 5 maneiras para você escrever com mais confiança.

Você ainda eliminará hábitos ruins que estão empobrecendo sua escrita.

Escrever como se fala x Escrita informal

Antes de mostrar as 5 dicas, preciso deixar algo muito claro agora.

Escrever como se fala é diferente de uma escrita informal.

Escrever como se fala leva aos 3 categorias de erros que comentei acima:

  1. Vícios da comunicação
  2. Comunicação prolixa
  3. Insegurança.

Uma escrita informal é uma escrita que simula uma conversa retirando os erros acima.

Esse é estilo de escrever que desejamos.

Ele é mais curto, direto e fácil de entender.

E é o que irei apresentar para você agora.

Como escrever melhor de maneira informal

Eu vou compartilhar 5 melhorias que você pode aplicar hoje mesmo em sua escrita.

Ao fazer uso dessas técnicas você:

  • Garante mais confiança ao escrever
  • Evita a perda de tempo com palavras que seu leitor odeia
  • Ganha a admiração dele por respeitar sua inteligência (e tempo).

Melhoria #1: Evite o “Queísmo”

“Queísmo” é o uso excessivo do “que” na sua escrita.

Ele torna o texto mais lento e pode ser comparado a um quebra-mola.

Toda vez que o leitor passa por um “que”, ele é forçado a reduzir sua velocidade de leitura.

↪︎ Leia o exemplo:

  • Frase com “Que”: Quando chegaram, pediram-me que devolvesse o livro que me fora emprestado por ocasião dos exames que se realizaram no fim do ano que passou.
  • Frase sem “Que”: Eles me pediram a devolução do livro por conta dos exames no fim do ano passado.

Melhoria #2: Evite jargões

Argh! Os jargões.

As palavras favoritas de quem fala demais por não ter nada a dizer (valeu pela inspiração Renatão).

↪︎ Os jargões mais usados no ambiente corporativo:

  1. BRAINSTORM: “Tempestade de ideias”
  2. FEEDBACK: Crítica ao trabalho entregue.
  3. APPROACH: Abordagem.
  4. BRIEFING: Informações necessárias para a execução do projeto.
  5. NETWORKING: Rede de contatos
  6. DEADLINE: Prazo limite para a entrega de um trabalho.
  7. KNOW-HOW: Conhecimento para a realização de tarefas.
  8. SINERGIA: Cooperação.

Apesar dos jargões serem ruins, aqui estamos nós, décadas mais tarde, e nossa escrita ainda está repleta de:

  • palavras revolucionárias,
  • de valor agregado,
  • impactantes,
  • de ponta
  • e concebidas para alavancar,
  • incentivar
  • e sinergizar
  • o atual paradigma.

Resumo da ópera: quando possível, evite os jargões.

Melhoria #3: Evite o gerundismo

Quase todo problema de comunicação está ligado a falar muito e dizer pouco.

Na escrita não é diferente.

Outro exemplo nesse assunto é o gerundismo: o uso em excesso do gerúndio.

↪︎ Leia o exemplo abaixo:

Trecho Ruim (82 palavras):

Não fique escrevendo (nem falando) no gerúndio.

Você vai estar deixando seu texto pobre e vai estar causando ambiguidade.

Com certeza, você vai estar deixando o seu conteúdo esquisito.

Vai estar ficando com a sensação de que as coisas ainda estão acontecendo.

E como você ainda vai estar lendo este texto…

Eu tenho certeza que você vai estar prestando atenção…

E vai estar repassando aos seus amigos, que vão estar entendendo e vão estar pensando em não estar falando desta “maneira irritante”.

Trecho Melhor (65 palavras):

Não escreva (nem fale) no gerúndio.

Você deixará seu texto pobre e irá causar ambiguidade.

Com certeza, você deixará seu conteúdo esquisito.

Ficará com a sensação de que as coisas ainda estão acontecendo.

E como você está lendo este texto…

Eu tenho certeza que você está prestando atenção…

E irá repassar aos seus amigos, que irão entender e pensarão em não falar desta “maneira irritante”.

Melhoria #4: Evite abreviações

Abreviações economizam tempo apenas para experts em uma área.

Mas para a maioria das pessoas (leigos no assunto que você deve ser o expert), a abreviação leva tempo para ser entendida.

Uma boa comunicação é (em resumo) se expressar e ser compreendido.

Quando sua audiência olha uma abreviação e não sabe o que é, a chance dela sair do seu texto e buscar seu significado é grande.

Logo, o trabalho de explicar abreviações é seu (do escritor) e não do leitor em procurá-las.

↪︎ Leia os exemplos abaixo:

Abreviado: Esse investimento está oferecendo 110% do CDI.

Explicado: Esse investimento está oferecendo 110% do CDI (Certificado de Depósito Interbancário).

Abreviado: Essa minha campanha de anúncios teve um ROI de 231%.

Explicado: Essa minha campanha de anúncios teve um ROI (Retorno Sobre Investimento) de 231%.

Abreviado: A PUV dessa carta de vendas está no ponto.

Explicado: A PUV (Proposta Única de Valor) dessa carta de vendas está no ponto.

Resumo: Se você está na dúvida sobre o conhecimento da abreviação, sempre explique.

Melhoria #5: Pontuação informal para escrita

Assim como a gramática, a pontuação que você usa para uma escrita informal pode (e deve) ser diferente da aprendida na escola.

Veja bem, não estou dizendo para fazer do seu texto um Frankstein, um monstro de palavras e pontuações jogadas que ninguém consegue entender.

Pelo contrário, sou favorável a comunicação simples e direta.

Logo, algumas regras de pontuação e gramática podem ser alteradas na escrita informal sem prejudicar a compreensão do texto.

E fique tranquilo, pois a polícia da gramática não irá prender você.

↪︎ Eu uso essas 5 pontuações diferentes da norma culta quando escrevo de forma informal:

1) Vírgula ,

Em textos MUITO informais, você pode usar a vírgula em partes do texto que você precisa puxar fôlego para continuar lendo em voz alta.

2) Ponto .

No intuito de evitar parágrafos e sentenças enormes, você pode usar mais o ponto final.

  • Ele ajuda a sinalizar o término de uma linha de pensamento.
  • Ele ajuda a separar melhor seu texto.
  • Ele evite os blocos gigantes de concreto que são difíceis de ler.

As três sentenças acima poderiam ficar em um único parágrafo, mas eu preferi separá-las, facilitando sua leitura.

3) Ponto e Vírgula ;

Na escrita informal eu evito usar o ponto e vírgula.

Eles dão um sinal de pausa forte no texto (maior do que uma vírgula, assim como um ponto final).

Logo, evito usá-los ao decorrer do texto.

Raramente você irá ver ponto e vírgula em uma lista de itens quando escrevo.

Exemplo:

  • Item 1;
  • Item 2;
  • Item 3.

4) Ponto de Exclamação !

Esse é um tipo de pontuação que evito usar, principalmente em comunicações de venda.

Ele possui grande valor nos diálogos quando você deseja expressar emoção.

Raramente você verá um ponto de exclamação nos meus textos informativos e de vendas.

Do ponto de vistas de copywriting, o ponto de exclamação é uma péssima ideia, pois mostra exagero, empolgação e excitação desnecessária.

É como escrever:

Compra Agora Meu Produto Maravilhoso!!! Aproveite Essa Oportunidade Única e Limitada!

5) Reticências

Se eu recebesse uma multa da ABNT (Associação Brasileira de Normas Técnicas) por cada reticências usada…

… seja em artigos, emails e cartas de vendas…

… meu saldo bancário estaria pintado de vermelho.

Porém, na escrita informal as reticências são muito queridas.

Elas ajudam a quebrar sentenças grandes e são ótimas em causar uma curiosidade sobre o que eu vou falar a seguir…

É o chamado “gap do conhecimento”.

Quando você tem uma informação incompleta

… você deseja completá-la.

Portanto, não espere encontrar muitas reticências em artigos científicos ou redações para provas de vestibulares.

Use elas com moderação em sua escrita informal e você conseguirá “prender” ainda mais a atenção do seu leitor.

Sua audiência agradece.

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